sexta-feira, 22 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009

TRANSPLANTE

"Quando um transplante é bem sucedido, uma vida é salva e com ele resgate-se também a saúde física e psicológica de toda a família envolvida com o paciente transplantado. No Brasil, atingimos a marca de aproximadamente 70.000 pessoas (2007) aguardando por um transplante. Essas vidas dependem da autorização da família do paciente com morte encefálica comprovada autorizar a doação. Um gesto que pode transformar a dor da morte em continuidade da vida.
Embora o Brasil seja considerado modelo no número de transplantes realizados, o número de doadores continua abaixo do necessário. Apesar do crescimento em 2008 ocorrido após 2 anos de queda e 1 ano de estagnação em 2007, passamos de 5,4 doadores por milhão de população(pmp) para os atuais 7,2 pmp. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, divulgado pela abto, essa taxa ainda não supera a obtida no ano e 2004 que foi de 7,3 pmp".
Abaixo uma lista de órgãos e tecidos que são utilizados para transplantes:
"Córneas (retiradas do doador até 6 horas dpc e mantidas fora do corpo por até 7 dias);
Coração (retirado do doador apc e mantido fora do corpo por no máximo 6 horas);
Pulmão (retirados do doador apc e mantidos fora do corpo por no máximo 6 horas);
Rins (retirados do doador até 30 minutos dpc e mantidos fora do corpo até 48 horas);
Fígado (retirado do doador apc e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
Pâncreas (retirado do doador apc e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
Ossos (retirados do doador até 6 horas dpc e mantidos fora do corpo por até 5 anos).
Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue)"

Como é conservado os orgãos corpo humano

"Por algum tempo, as condições de circulação sangüínea e de respiração podem ser mantidas por meios artificiais (medicamentos que aumentam a pressão arterial, respiradouros etc.), até que seja viabilizada a remoção dos órgãos para transplante.
Após a retirada, os órgãos suportam muito pouco tempo sem circulação sangüínea. No máximo: pulmão e coração (4-6h), fígado (12-24h), pâncreas (12-24h), rins (24-48h), córneas (até 7 dias).

As córneas são acondicionadas em frascos contendo o meio de conservação sulfato de condroitina, à temperatura de 2 a 8ºC, em recipiente térmico, em torno de 4º C.
O coração é acondicionado em sacos plásticos esterilizados com solução salina à 5ºC e transportado em bolsa ou caixa térmica com gelo comum.
O fígado é acondicionado em sacos plásticos apropriados e esterilizados, contendo solução de preservação, isolamento térmico e gelo comum, em torno de 4º C.
Os rins são acondicionados separadamente em sacos plásticos estéreis, com solução de preservação adequada, e transportados em recipientes com isolamento térmico, contendo gelo comum, de modo a manter uma temperatura no interior do recipiente em torno de 4ºC.
Peças de tecidos ósteo-fáscio-condro-ligamentosos são armazenadas em caixa térmica refrigerada com gelo comum, em temperatura também em torno de 4 a 5º C."
"Um levantamento realizado entre líderes religiosos, pelo Programa Regional de Transplante de Nova York, publicado na Internet, e complementado por nós, mostra a opinião das seguintes religiões, com respeito à doação de órgãos:

Metodista Africana: A doação de órgãos e tecidos é vista como um ato de amor e caridade. Ela encoraja todos os seus membros a apoiarem a doação como uma forma de ajudar ao próximo.

Amish: Aprova a doação se existir uma indicação clara de melhoria de saúde do receptor; é relutante, caso esse aspecto seja questionável.

Assembléia de Deus: Não tem uma posição oficial sobre o tema. A decisão de doar cabe ao indivíduo.

Batista: A doação é apoiada como um ato de caridade e a igreja deixa a decisão a cargo de cada membro.

Brethren: Segundo uma resolução de 1993, a doação de órgãos e tecidos é encorajada porque "nós temos a oportunidade de ajudar outros, pelo amor de Cristo, através da doação de órgãos e tecidos".

Budismo: A doação de órgão e tecidos é uma questão de consciência individual.

Catolicismo: Os transplantes são aceitos pelo Vaticano e a doação é encorajada como um ato de caridade.

Discípulos de Cristo: A igreja não proíbe a doação de órgãos e tecidos. É considerada como uma decisão pessoal a ser tomada com a família e o médico.

Ciência Cristã: Não tem posição a respeito, deixando a decisão por conta do indivíduo.

Grega Ortodoxa: Não tem objeções se o procedimento ocorrer para restabelecer a saúde de alguém, mas a doação de todo o corpo para estudo ou pesquisa vai contra a tradição.

Episcopal: A Igreja Episcopal reconheceu, em 1982, os benefícios da doação de órgãos e tecidos. Todos são encorajados a se tornarem doadores de órgãos e tecidos "como parte de sua benevolência ao próximo, em nome de Cristo, que deu a sua vida pela de todos nós".

Ciganos: Os ciganos são pessoas de diferentes grupos étnicos sem uma religião formalizada. Eles compartilham das mesmas crenças e tendem a ser contra a doação de órgãos e tecidos por admitirem a vida após a morte, com a particularidade de acreditarem que um ano após a morte a alma volta para o corpo que deve estar intacto para recebê-la.

Hinduísmo: A doação de órgãos é uma decisão individual.

Evangélica Conservadora: Em geral, os evangélicos não têm nenhuma oposição à doação de órgãos e tecidos. Cada igreja é autônoma e deixa a decisão por conta do indivíduo.

Islamismo: Essa religião acredita profundamente no princípio de salvar vidas. Ela tem como prioridade salvar vidas e permite o transplante e a doação de órgãos como meios necessários para se atingir esse nobre fim.

Testemunhas de Jeová: A doação é uma questão de consciência individual, com a condição de que os órgãos e tecidos tenham todo o sangue completamente drenado.

Judaísmo: Os judeus acreditam que se há possibilidade de se doar um órgão para salvar uma vida, é obrigatório fazê-lo. A doação pode também ser feita entre pessoas vivas. Proíbe, entretanto, a doação de partes do corpo para "bancos de órgãos" ou para estudo em ciência e pesquisa.

Luteranos: Em 1984, a Igreja divulgou um documento dizendo que a doação de órgãos contribui para o bem-estar da humanidade e pode ser " uma forma de sacrifício por amor ao próximo em necessidade". Eles convocaram todos os membros a considerarem a doação de órgãos e tecidos e a fazerem os ajustes legais necessários para tal, de si próprio e de sua família.

Mórmons: Não se opõem à doação de órgãos e tecidos, mas acreditam que essa é uma decisão individual a ser tomada junto com a família, médicos e pastor da Igreja.

Pentecostal: Acredita que a decisão cabe ao indivíduo.

Protestantismo: Encoraja e apóia a doação de órgãos.

Presbiteriana: Os presbiterianos encorajam e apóiam a doação de órgãos, respeitando aqueles que optarem por não fazê-la.

Metodista: Apóia e encoraja a doação de órgãos e tecidos.

Espiritismo: Para Divaldo Franco, em seu livro Dias Gloriosos, "quando o ser está consciente da sua imortalidade e compreende o quão valioso para outras vidas será a doação dos órgãos que lhe têm sido úteis e preciosos, caminhando para a dissolução, podendo, no entanto, salvar outras vidas, diminuir as angústias do seu próximo, a mesma se lhe apresenta como forma dignificante de crescimento íntimo".

Seicho-No-Ie: Segundo Yoshihico Iuassaca, Diretor Vice-Presidente e Preletor da Sede Internacional, Superintendente das Atividades dos Preletores da Seicho-No-Ie do Brasil, "o cidadão, adepto da Seicho-No-Ie, que deseja doar seus órgãos após sua morte, deve cuidar deles com o maior zelo, para que eles possam funcionar com perfeição após a doação. Além disso, deve oferecer seus órgãos acompanhados da vibração de sentimentos de amor, gratidão e bênção durante muito tempo, a ponto de o receptor, que teve a felicidade de recebê-lo, poder doar a outra pessoa, e assim sucessivamente".

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sindicato médico no Egito proibe transplante entre muçulmanos e cristãos

"O Sindicato de Médicos do Egito, dominado pelos "Irmãos muçulmanos", uma facção extremista do Islã, proibiu o transplante de órgãos entre quem professa a fé islâmica e os cristãos; o que gerou uma série de protestos e mal-estar em ambas as comunidades.
Conforme informa a agência EFE, um porta-voz da Igreja Copta (Católica) assinalou ante esta controvertida decisão que "todos temos o mesmo sangue egípcio e se o motivo da medida é proibir o tráfico de órgãos, rechaçamo-lo porque pode ocorrer também entre fiéis da mesma religião".
A mesma fonte indica que esta decisão do sindicato é "muito grave", já que pode conduzir a outros passos como proibir as doações de sangue entre cristãos e muçulmanos ou impedir a um médico que examine a um doente de distinta religião.
"Temos medo a que no futuro haja hospitais para cristãos e outros para muçulmanos", disse o porta-voz.
Por sua parte, o diretor do sindicato, Hamdi El Sayed, disse que esta norma busca "proteger aos muçulmanos pobres dos cristãos ricos que lhes compram seus órgãos e também ao contrário" e além disso "impedir qualquer tentativa de enganar aos doentes e lhes roubar seus órgãos, sobre tudo se ocorrer entre cristãos e muçulmanos, porque neste caso sim se abre a porta a uma crise entre ambas as comunidades".
De outro lado, o perito Abel Moti Bayumi, membro do Centro de Estudos Islâmicos de Azhar, assegurou que esta proibição "instigará à discriminação entre um muçulmano e um cristão que vivem no mesmo país".
Do mesmo modo, indica EFE, a União Egípcia para os Direitos humanos (UEDH) decidiu apresentar ante um tribunal do Cairo uma denúncia contra o Sindicato de Médicos para pedir que se anule a decisão. O Presidente desta instituição, o advogado Naguib Gibrael, indicou que esta norma é "discriminatória, já que viola os direitos humanos, a Constituição e a unidade nacional"; que além de mais procura "seqüestrar o poder legislativo". "Se o Sindicato não anular a medida, haverá maiores conflitos entre cristãos e muçulmanos", alertou."


Doação presumida de órgãos humanos

Prós e contras de uma lei polêmica


"O Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, sancionou em 04.02.97 a Lei nº 9.434, que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplantes e tratamento. A realização destes se restringe aos estabelecimentos de saúde, público ou privado, e às equipes médico-cirúrgicas de remoção e transplante credenciados, junto ao órgão de gestão nacional do Sistema Único de Saúde – SUS. Após o prazo de 45 dias, contados da data de publicação, todo brasileiro que vier a falecer será considerado como doador potencial, exceto se houver manifestação da vontade do mesmo, em contrário. As pessoas que discordarem em ter seus órgãos e tecidos removidos para fins de transplante, devem fazer constar em seus documentos a expressão "não-doador de órgão e tecidos". Esta expressão "deverá ser gravada, de forma indelével e inviolável, na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação da pessoa" que optar por não doar seus órgãos. Decorridos 30 dias da publicação da lei, os órgãos de identificação civil e departamentos de trânsito devem, obrigatoriamente, fazer constar a informação em todos os documentos emitidos, quando for o caso.

A nova Lei de Transplantes é resultado de um substitutivo elaborado pelo Senador Lúcio Alcântara que reuniu três projetos sobre o assunto (PLS 6/95 – PLS 8/95 – PLS 15/95) que se encontravam em tramitação conjunta. O substitutivo foi aprovado em 22.02.96 e encaminhado à Câmara dos Deputados onde recebeu o número PL 1.579/96 e, também, foram apensados outros projetos que versavam sobre a matéria. Uma vez aprovado na Câmara o substitutivo, que naquela Casa teve como relator o Deputado Federal Carlos Mosconi, retornou ao Senado onde, após apreciação, teve algumas mudanças acatadas, outras não. O ponto discordante foi o artigo 4º e seus parágrafos, que pela proposta do Senado instituía o princípio do consentimento presumido, enquanto na Câmara adotou-se o princípio do consentimento firmativo, prevalecendo, no final, a redação dada no Senado. A diferença entre os dois princípios é que, no consentimento afirmativo, todas as pessoas devem se manifestar se querem ou não doar seus órgãos, enquanto que no presumido, todos os que não se manifestarem em contrário, são considerados, automaticamente, doadores.

No período em que a Lei, ainda em forma de projeto de lei, tramitou no Congresso Nacional, houve manifestações de apoio, assim como as de rejeição. Os opositores se apoiaram na idéia de que a doação presumida, como é denominada na Lei, descaracteriza o ato de doação que deve ser voluntário. Porém, ela continua a ser voluntária, uma vez que o cidadão tem liberdade de escolher ser um não-doador. É verdade que há uma inversão, já que ser voluntário implica em uma atitude de dar-se um passo à frente, mas isso não quer dizer coibir o direito a escolha.

Outro questionamento suscitado foi a possibilidade da sanção da Lei propiciar o aquecimento do Comércio ilegal de órgãos. Considerando-se que uma oferta abaixo da demanda é o propulsor do mercado negro (seja qual for o produto), a doação presumida deve, assim se espera, aumentar a oferta de órgãos e, conseqüentemente, minar as bases de tráfico. É bem verdade que a doação presumida não vai eliminar o problema da carência de órgãos da noite para o dia, mas deve diminuir o problema consideravelmente.

Mesmo entidades médicas se posicionaram contra a idéia, alegando a falta de infra-estrutura dos hospitais brasileiros para comportar a captação e distribuição de órgãos. Atualmente, apenas oito Estados e o Distrito Federal possuem centrais de captação de órgãos e somente 146 hospitais, a maioria situada nas regiões sul e sudeste, realizam transplantes, sendo que alguns apresentam uma produtividade abaixo da expectativa. Em alguns desses hospitais, não chegam a ser realizados nenhum transplante durante o período de um ano.

A Lei, enquanto projeto, previa a criação das centrais de notificação, captação e distribuição de órgãos, porém este artigo foi vetado no ato de sanção da Lei por tratar-se de matéria da competência do Presidente da República, conforme o disposto no artigo 61, inciso II, letra e, que diz que "são de iniciativa privada do Presidente da República, as leis que disponham sobre criação, estruturação e atribuições dos Ministérios e órgãos da administração pública". O veto não significou uma divergência quanto ao mérito da proposta. Seu único objetivo foi o de preservar a ordem constitucional. O Presidente já determinou ao Ministério da Saúde que adotasse as medidas administrativas necessárias, para a implantação dessas centrais.

O Ministério da Saúde já está trabalhando na elaboração do projeto que regulamenta a nova lei. Esse projeto tem prazo de seis meses após a sanção para ser apresentado. Segundo os dados fornecidos, o projeto disporá sobre a criação de uma Central Nacional de Transplantes que será a encarregada de realizar o intercâmbio entre as centrais estaduais e os hospitais, que devem captar os órgãos doados. Para isso será implantado um banco de dados que interligará a Central Nacional às centrais estaduais, as quais devem contactar a primeira, quando os hospitais informarem a ocorrência da morte cerebral de um paciente. Quando as centrais estaduais dispuserem de dados mais exatos sobre o doador que permitam verificar a compatibilidade do mesmo com os receptores em potencial, elas passarão as mesmas no ato da comunicação. A Central Nacional contará com uma lista única de receptores que será cumprida obedecendo a ordem cronológica da inscrição do receptor e a compatibilidade com o doador. O hospital credenciado a fazer o transplante, onde o receptor estiver inscrito, será imediatamente comunicado da disponibilidade dos órgãos.

Existe, também, uma proposta de que os hospitais credenciados sejam obrigados a apresentar relatórios periódicos às centrais, de modo a abastecer o banco de dados com informações sobre o número de transplantes realizados, índice de rejeição apurado e qualidade dos serviços prestados, além do acompanhamento pós-cirúrgico dos receptores."

CAMPANHA DE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Muito além da cirurgia

"Nenhum procedimento influenciou tantas especialidades médicas quanto os transplantes. Seus benefícios estendem-se
às mais diversas áreas – da infectologia à cardiologia, da imunologia às pesquisas com células-tronco

Na sala 11 do centro cirúrgico do Instituto do Coração de São Paulo, nove profissionais, entre médicos, enfermeiras e instrumentistas, estão prontos para a realização de mais um transplante cardíaco. Há pelo menos uma hora e meia, o paciente está na mesa de operação, o tórax escancarado por espátulas de metal, já sem o seu próprio coração, a circulação sanguínea a cargo de uma máquina pesadona, colocada ao lado. O cirurgião Ronaldo Honorato Santos entra apressado. Nas mãos, um pote branco. Dentro dele, o coração do doador – extraído uma hora antes do corpo de um rapaz morto em um acidente de carro no interior paulista. Mergulhado em compostos de preservação, em baixa temperatura, o coração, pálido e murcho, é retirado do recipiente e entregue ao médico Alberto Fiorelli, cirurgião responsável pela operação. O transplante começa. Fiorelli ajusta o tamanho dos vasos sanguíneos do coração doador às medidas do receptor e acomoda o órgão no peito do paciente. As vozes dos médicos misturam-se às conversas vindas do corredor. Frequentemente, um celular toca. Algumas ligações são atendidas; outras, ignoradas.

Quase duas horas depois do início da cirurgia, 70% dos vasos sanguíneos do novo coração já estão conectados aos do paciente. Agora, o silêncio toma conta da sala. Pela primeira vez, os cirurgiões Fiorelli e Honorato colocam os bisturis e tesouras de lado. Seus olhos estão fixos no novo coração, ainda apagado no peito do doente. É o momento mais angustiante de um transplante: a espera pelo instante em que o órgão doado volta a funcionar no corpo do receptor. Cerca de um minuto se passa e nada. Fiorelli começa a massagear o novo coração com as mãos. Aos poucos, o órgão perde a palidez e ganha volume. É sinal de que o sangue circula por ele."

Escrito por LECKA